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Parecer acerca da Prova de Exame Nacional do Ensino Secundário Prova Escrita de Biologia e Geologia 702 – 2.ª Fase 2026

Após a análise detalhada da prova, consideramos que a mesma se apresenta alinhada com as Aprendizagens Essenciais (AE) e com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), mas de resolução globalmente mais complexa e mais trabalhosa do que a prova da primeira fase. Apresenta uma estrutura muito semelhante na distribuição dos grupos e no número de itens por grupo, cumprindo o preconizado, e apresentando:

a) Grupo I com 21 itens, dos quais 5 são não obrigatórios, e 4 itens de resposta extensa, todos obrigatórios;

b) Grupo II com 3 itens, sendo 1 não obrigatório;

c) Grupo III com 4 itens, sendo 2 não obrigatórios, e 1 item de resposta extensa e obrigatório.

Relativamente aos itens de construção (resposta restrita) serem todos obrigatórios, já apresentámos anteriormente, e reforçamos novamente, a proposta de, futuramente, poderem constar itens desta tipologia em que o aluno possa optar por responder entre diferentes possibilidades apresentadas na prova.

Dos 24 itens que completam a prova, continuamos a ter 8 itens não obrigatórios, dos quais 4 contabilizam para a classificação final, algo que parece ter sido definitivamente estabilizado.

A prova apela à interpretação e ao raciocínio em vários dos seus itens, principalmente nos itens de resposta restrita, o que exigiu um tempo de análise mais demorado dos documentos de apoio, alguns deles contendo diversos suportes (texto, tabela e gráfico, como é o caso do Grupo II), o que pode ter criado alguma ansiedade na realização e na revisão cuidada da prova por parte dos alunos dentro do limite de tempo disponível. A própria forma de registo das respostas (com o seu preenchimento com círculos em folha de leitura ótica) pode contribuir para a limitação do tempo necessário à realização da prova de forma serena por parte dos alunos. Pensamos que este é um ponto que deverá ser alvo de análise cuidada por parte do EduQA, no sentido de se perceber a sua relação com o tempo atualmente disponível para a sua realização.

Dos 5 itens de resposta restrita, apenas 2 (item 21 do Grupo I e item 4 do Grupo III) tiveram a inclusão de um acréscimo na sua formulação que orienta a resposta do aluno, bem menos do que na prova da primeira fase. Parece-nos evidente que este facto poderá ter impacto direto no sucesso dos alunos na concretização dos elementos de resposta nestes itens. Relativamente aos seus critérios de classificação, vemos como muito positivo o facto de estarem contempladas várias alternativas. Ainda assim, como veremos adiante, outras poderiam estar contempladas.

A atividade experimental proposta no Grupo II é uma atividade que pode ser realizada em sala de aula, facto pelo qual nos congratulamos, sendo na área da Geologia, algo que não é muito frequente, o que também saudamos.

Contabilizámos 4 itens de carácter procedimental, para os quais não é necessária a mobilização de conteúdos específicos da disciplina (Grupo I, itens 18 e 21 na área da Biologia e Grupo II, itens 1 e 2, na área da Geologia), entendendo-se este facto com a necessária avaliação de outras competências igualmente importantes.

Registamos 1 item, apenas, que combina as áreas da Biologia e da Geologia (item 9 do Grupo I). Além disso, salientamos positivamente o facto de o Texto 2 incidir sobre aspetos da Biologia e da Geologia, sobre o qual se desenvolvem os diversos itens, sobre as duas áreas.

Consideramos globalmente apropriado o rigor científico da prova, verificando-se equilíbrio entre o número de itens da componente de Biologia (15) e de Geologia (14), sendo que o item misto contabiliza para as duas áreas, razão pela qual indicamos um total de 29 itens. Verificou-se um equilíbrio entre os conteúdos dos 10.º e 11.º na componente de Biologia (6 / 7 itens, respetivamente, aos quais se somam os itens de natureza procedimental, totalizando os 15 anteriormente referidos), mas verificou-se algum desequilíbrio na componente de Geologia (4 / 8 itens, respetivamente). Destacamos o facto de se sentir uma preocupação em se abordar vários conteúdos das duas áreas e dos dois anos de escolaridade, de forma a cobrir uma boa parte dos Domínios e das Aprendizagens Essenciais da disciplina. Esta situação verifica-se, nomeadamente, ao nível dos itens de Associação / Correspondência e dos itens de Ordenação.

Mantém-se o facto de a prova registar a presença de alguns itens com formulação e conteúdos semelhantes a outros que já foram avaliados em exames anteriores.

Numa análise mais fina, gostaríamos de destacar vários pontos, tais como:

Grupo I

- Itens 1 e 8 - O texto revela uma simplificação de linguagem que entre geólogos é algo comum, mas neste nível de ensino pode criar alguma confusão nos alunos, uma vez que se caracterizam as rochas como "félsicas" e "máficas", quando os alunos aprenderam que estes conceitos se aplicam à cor dos minerais. Este aspeto ganha ainda mais relevância se atendermos à afirmação III do item 1, do Grupo I, onde se refere "rochas leucocráticas", obrigando o aluno a concluir que os conceitos de "rochas félsicas" e "rochas leucocráticas" são aqui tidos como sinónimos. Esta situação também se aplica ao item 8 do mesmo grupo.

- Item 2 - A utilização do conceito de "raio sísmico" em vez de "direção de propagação" da onda parece-nos despropositada e geradora de polémica desnecessária. A caracterização dos parâmetros relativos às ondas (sísmicas) não é algo que esteja estabelecido nas AE e não é pelo facto de constar em alguns dos manuais existentes que deverão ser avaliados em prova de exame nacional (AE correspondente: “Caracterizar as ondas sísmicas (longitudinais, transversais e superficiais) quanto à origem, forma de propagação, efeitos e registo”).

- Texto 2 - O texto refere que o camarão-girino é uma espécie endémica do sudoeste Português. No entanto, logo a seguir é referido existindo exclusivamente nos charcos localizados entre os concelhos de Vila do Bispo e de Faro, não estando este último localizado no sudoeste português. A publicação original refere-se "aos charcos temporários da costa sudoeste e do sul de Portugal", pelo que a utilização da informação original não deveria ser desvirtuada.

- Item 11 - Não existe uma clarificação, na informação disponibilizada, sobre a relação das variações sazonais com as fases de enchimento do charco, o que dificulta a compreensão e análise dos documentos de apoio.

- Item 16 - Sugerimos a introdução de uma alternativa ao elemento B nos critérios de classificação, devendo-se aceitar a referência ao endemismo.

- Item 17 - No elemento B dos critérios de classificação, apesar de parecer óbvio, deverá considerar-se "terra rossa" em alternativa à menção a "argilas".

- Item 21 O item apresenta elevada complexidade, atendendo ao facto de apresentar um texto denso, uma Figura 3A com informação que não está clara (não consta qualquer referência no texto para o significado de x 12 árvores e o x 5 ramos), além da Figura 3B, cujo padrão de cores utilizado pode induzir o aluno a fazer a correspondência, não com o que item pretende, mas com os locais de estudo, pois apresentam exatamente as mesmas cores/padrão na Figura 3A.

Salientamos o facto de os elementos A e B dos critérios de classificação exigirem mais do que uma relação, o que dificulta imenso a sua concretização e aumenta consideravelmente a complexidade do item. Assim, pensamos que a concretização dos elementos A e B deveria consistir, apenas, na primeira relação, enquanto as segundas deverão estar contidas no elemento C.

Ainda no mesmo item, propomos uma alternativa ao elemento C - A vespa controla (OU reduz, OU tem efeitos negativos) (n)a capacidade reprodutora e de disseminação da acácia, em plantas com e sem galhas.

Grupo II

- Item 2 O item remete a resposta para a diminuição da temperatura com a distância. Este facto implica que o aluno relacione os dados do Gráfico I, que se referem à variação das temperaturas ao longo do tempo, com a Figura 4B, que se refere à distância dos vários termómetros à fonte de calor, o que aumenta fortemente a complexidade do item.

Grupo III

- Item 4 - O elemento B dos critérios de classificação exige que o aluno refira que a formação de novos vasos sanguíneos assegura o fornecimento de nutrientes (ou de glicose) às células tumorais. Será muito provável que os alunos também refiram o aumento no fornecimento de oxigénio às células que, embora as bactérias não o utilizem no processo de obtenção de energia, não deverá ser visto como falha no rigor científico, uma vez que é algo que se verifica, de facto.

Coimbra, 24 de julho de 2026

A Direção da APPBG

 

  • 2026-07-24 15:00:00

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